Celebração à pessoa migrante e refugiada

A vida já estava quando chegamos

A diáspora humana é vivida a muitos e muitos anos… A humanidade se desloca, desde sua origem, em busca de melhores condições de vida. Constantemente, necessitamos recordar que ao longo da história a humanidade sempre esteve em movimento, sobre a superfície da Terra, sem cercas, divisões ou muros, além fronteiras.  Somos habitantes desse planeta e podemos estar em qualquer lugar. Fomos criados para sermos livres, Deus em sua infinita misericórdia, nos criou irmãos e irmãs corresponsáveis e conectados/as uns com os/as outros/as.

Em nosso meio, o Reino de Deus acontece de maneira extraordinária e dinâmica,  chamando-nos a estar conscientes do que falamos e agimos, para que sejamos cônscios das situações injustas e que possamos incluir a solidariedade sem limites, no nível pessoal e em comunidades reunidas no mundo. Sair ao encontro é um convite e um exercício cotidianos, que nos interpela, inspira-nos para seguir o processo de buscar com sabedoria para que Adveniat Regnum Tuum – « Venha a nós o vosso Reino ». 

A situação agrava-se quando migrantes e refugiados/as fogem de guerras, catástrofes, miséria e da fome, partindo para o desconhecido, na certeza/esperança de que partir é preciso e chegar é um sonho. Somos chamados/as a entrar em um processo de diálogo e entendimento sobre esta realidade mundial, para assim mergulharmos em um processo continuo de acolhimento.

Somos todos/as migrantes… Estamos todos/as em movimento no planeta. Eis alguns momentos de reflexão penitencial, ofertas e ação de graças, neste tempo importante de avançarmos no entendimento e aprofundamento de realidades desafiadoras que vivem as pessoas migrantes e refugiadas de todos os lugares e países.

Momento penitencial: Venha teu Reino, Senhor!

Perdão Senhor, pois nos esquecemos que todos/as nós, migrantes e refugiados/as ou não, buscamos um mesmo bem querer, uma vida digna.

Perdão Senhor pelas vezes que ficamos indiferentes ou não sabemos acolher aos nossos irmãos e irmãs que, enfrentando dificuldades nos deslocamentos forçamos, buscam lugar, acolhida, condições dignas de vida. Perdão pelas vezes que não somos solidários/as com as pessoas migrantes ou refugiadas em suas dores, vulnerabilidades e necessidades de acolhida. 

Perdão pelas vezes que nos fechamos às possibilidades de trocas e aprendizagens mútuas advindas do contato e relação com as pessoas migrantes ou refugiadas em sua diversidade cultural e religiosa.

Perdão pelas vezes que deixamos de nos relacionar com a pessoa escondida ou revelada na condição de migrante e refugiada, limitando-nos a tratos guiados por classificações e estereotipias.

Perdão pelas vezes que não dispensamos a atenção e cuidado necessários não só aos/às migrantes e refugiados/as, mas para todos os grupos e populações consideradas minoritárias, mas que representam, na verdade, a grande maioria das pessoas.

Perdão por não avançarmos em nossos países em empregabilidade, saúde, educação,  ou seja, em políticas públicas voltadas para a garantia de direitos universais e igualitários que reconheçam e protejam as pessoas vulneráveis, sobremodo migrantes e refugiadas.

Perdão Senhor pela falta de espírito de cooperação e solidariedade entre os países que tem deixado à margem populações e grupos étnicos, indígenas, quilombolas, migrantes, refugiados/as, entre outras tidas como minorias. Perdão por não avançarmos em construções coletivas humanitárias.

Perdão pela disseminação de fake news que criam barreiras e distanciamentos, ao invés de aproximações e vínculos fraternos.

Perdão pelas vezes que confundimos garantia de direitos com ações beneficentes pontuais e esporádicas voltadas às pessoas que necessitam nossa solidariedade e cumplicidade na luta por uma vida eivada de justiça e dignidade. 

Perdoa Senhor, por tua misericórdia, as faltas de investimento de pleno exercício de direitos, que geram discriminações, preconceitos, xenofobias, racismos, ódios, injustiças, pobrezas.

Momento de oferendas: Venha teu Reino, Senhor!

Oferecemos o desejo de crescermos todos/as em respeito, direitos de cidadania e participação social no mundo inteiro.

Oferecemos as pessoas que acreditam e lutam por empregabilidade remunerada, documentação e não exploração aos/às migrantes e refugiados/as.

Oferecemos nosso coração aberto para viver e experimentar pequenas atitudes de acolhimento que nos chamam a considerar e respeitar as diferenças de pertencimentos étnicos.

Oferecemos os povos que se sentem e se fazem fraternos, ricos em diversidades culturais, abundantes em cores e sabores diversos, que resistem e lutam para conservar suas existências.

Oferecermos os cantos e encantos de pessoas que enfrentam o medo e a morte, porque acreditam em outra vida, em um outro mundo possível, necessário e urgente que deve se instalar desde aqui e agora.

Oferecemos as danças e as preces, o clamor que chega ao alto e em todas as direções, mostrando que a fé vai além de qualquer explicação, pois se torna corpo e inspiração em nós.

Oferecemos o fluxo migratório de todos os tempos e o desejo de aprendizado pessoal, comunitário, institucional em todas as instancias de governabilidade.

Fazemos memória das incontáveis pessoas que tentaram atravessar o mar, o ar, a terra e os muros, chegando a ter a vida interrompida, mas não sufocado o sonho comum de um lugar de acolhida, onde possam viver dignamente.

Rendemos graça… Venha teu Reino, Senhor!

Louvado seja nossos antepassados que caminharam de um lugar ao outro, buscando uma terra favorável e segura para sua descendência.

Damos graças a Deus Pai e Mãe que nos consola, ampara e conduz. Rendemos glória ao ouvir incontáveis testemunhos de vida de pessoas que ousaram em acreditar, apostar e lutar pela vida em sua plenitude.

Bendito seja Senhor por tantas manifestações de carinho e respeito para com nossos irmãos migrantes e refugiados, oferecendo-lhe o mais profundo e digno acolhimento em uma pátria totalmente nova para eles e elas.

Louvamos Senhor pelos inúmeros gestos de solidariedade que se multiplicam no anonimato do dia a dia, transformando e salvando vidas.

Bendito e louvado seja pelas famílias que ainda hoje, assim como Jesus desde pequenino com Maria e José, experimentam o que corresponde a deixar tudo para recomeçar com uma nova esperança.

Rendemos graças ao povo de Deus de todos os tempos que sempre acreditou e caminhou por um novo céu e nova terra. Que nossos irmãos e irmãs migrantes e refugiados/as sejam amados/as, acolhidos/as, respeitados/as, escutados/as, incentivados/as e protegidos/as em seus direitos fundamentais para garantir a vida. Venha teu Reino, Senhor! Amém!

Comissão JPIC Brasil Território América Latina

Partage

Partager sur facebook
Partager sur twitter
Partager sur whatsapp
Partager sur email
Partager sur print

Editorial

Como en un bosque de secuoyas

Me han contado que si pudiésemos observar un bosque de secuoyas desde lo subterráneo veríamos una inmensa red de raíces y organismos interconectados. Nuestra forma

Plus d'articles :

Journeying in hope

As the Season of Creation draws to a close the journey continues. Despite the terrifying signs of climate disruption, Amazon fires, melting of Arctic ice

Je te le dis : lève-toi

Réflexion sur l’évangile de Marc 5, 41 Elizabeth Green Elizabeth Green est théologienne et Pasteure de l’Union Chrétienne Évangélique Baptiste. Le chapitre 5 de l’Évangile

Envoyez-nous un message