{"id":213,"date":"2017-04-12T14:37:00","date_gmt":"2017-04-12T14:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jpic-assumpta.org\/?p=213"},"modified":"2020-01-27T14:38:21","modified_gmt":"2020-01-27T14:38:21","slug":"caruaru-brasil-memorial-pobreza-desigualdades-e-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jpic-assumpta.org\/index.php\/2017\/04\/12\/caruaru-brasil-memorial-pobreza-desigualdades-e-educacao\/","title":{"rendered":"Caruaru (Brasil). Memorial : Pobreza, Desigualdades e Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u201cNa maior parte das vezes, lembrar n\u00e3o \u00e9 reviver mais refazer, reconstruir repensar com imagens e ideias de hoje as experi\u00eancias do passado. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 sonho, \u00e9 trabalho\u201d (Bosi).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Este memorial \u00e9 resultado das diferentes atividades realizadas a partir do m\u00f3dulo introdut\u00f3rio, do in\u00edcio do curso de especializa\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o, pobreza e desigualdade social. O referido material \u00e9 uma narrativa das experi\u00eancias vividas e reinventadas, consiste em um trabalho que se aproxima do mentor da educa\u00e7\u00e3o para a consci\u00eancia, conforme salienta Paulo Freire&nbsp;:<\/p>\n\n\n\n<p><br><em>Que a nossa presen\u00e7a no mundo, implicando escolha e decis\u00e3o, n\u00e3o seja uma presen\u00e7a neutra. A capacidade de observar, de comparar, de avaliar para, decidindo, escolher, com o que, intervindo na vida da cidade, exercemos nossa cidadania, se erige ent\u00e3o como uma compet\u00eancia fundamental. Se a minha n\u00e3o \u00e9 uma presen\u00e7a neutra na hist\u00f3ria, devo assumir t\u00e3o criticamente quanto poss\u00edvel sua politicidade. Se, na verdade, n\u00e3o estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transform\u00e1-lo&nbsp;; se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mud\u00e1-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para n\u00e3o apenas falar de minha utopia, mas para participar de pr\u00e1ticas com ela coerentes (FREIRE, 2000:33).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Eu aluna do referido curso, Marcia Ferreira Silva, iniciamos o curso no dia 25 de agosto de 2015 a dist\u00e2ncia&nbsp;; da rede de acesso moodle o referido m\u00f3dulo introdut\u00f3rio abordou assuntos sobre a pobreza, desigualdades e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Comecei refletindo e revendo os meus pr\u00f3prios conceitos sobre a pedagogia e doc\u00eancia, que resistem a dar a centralidade devida \u00e0s bases materiais do viver, do pensar, do ser sujeito intelectual e moral. Fazer mem\u00f3ria de conhecimentos e entendimentos sobre a pobreza me interpela profundamente sobre o conceito do despojamento, ter e n\u00e3o ter, voltado a oportunidades e espa\u00e7o de garantia de direitos reservados para alguns e insist\u00eancia de outros em crescer e desenvolver-se rumo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o de direitos. Adquirir conhecimentos, otimizando oportunidades e reinventando alternativas de inclus\u00e3o aos diferentes indiv\u00edduos de nossa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>De que formas a escola poderia distanciar-se do papel moralizador dos pobres e operar no enfrentamento das consequ\u00eancias da pobreza no desenvolvimento intelectual dos pobres&nbsp;?<\/p>\n\n\n\n<p><br>A escola ocupa um papel fundamental de amadurecimento de consci\u00eancia promo\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento, aprendizagem, autonomia e crescimento na vis\u00e3o de direito universal para todos, possibilitando assim, ao estudante, perceber-se como autor e sujeito atuante e modificador de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Contudo trabalhar em di\u00e1logo e articula\u00e7\u00e3o com as diferentes parcerias encontradas na REDE sejam elas, no \u00e2mbito, educacional, socioassitencial, na \u00e1rea da sa\u00fade dentre outros exige muita abertura, reflex\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, para encontrar solu\u00e7\u00f5es e meios pedag\u00f3gicos voltados para minimizar a pobreza e aumentar esperan\u00e7a e metas para a supera\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e inclusiva para todos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Participar do f\u00f3rum resultou um espa\u00e7o de participar das diferentes contribui\u00e7\u00f5es dos colegas, advindos de diversos lugares experi\u00eancias profissionais e acad\u00eamicas, abordar tal reflex\u00e3o sobre a pobreza no espa\u00e7o educacional, nos interpela profundamente, colocando-nos em constante reflex\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de nossas pr\u00f3prias posturas, conceitos, nos questionando com nossa pr\u00f3pria \u00e9tica e moral frente ao tratamento e, consci\u00eancia em colaborar frente ao empoderamento do indiv\u00edduo e seu lugar e autonomia no coletivo enquanto pessoa vivenciando a pobreza enquanto despojado de outras possibilidades, mas autor e buscador de meios, a\u00e7\u00f5es e programas que possibilite maior chance de usufruir e almejar novos acessos \u00e0 escola com qualidade, benef\u00edcios e programas que efetive os direitos garantidos por vias da promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana e justi\u00e7a social na certeza de que unidos e por meios pac\u00edficos e inclusivos de fato, alcan\u00e7aremos um mundo melhor de se viver.<\/p>\n\n\n\n<p><br><em>Em realidade, a caracteriza\u00e7\u00e3o dos (as) pobres como inferiores em moralidade, cultura e civiliza\u00e7\u00e3o tem sido uma justificativa hist\u00f3rica para hierarquizar etnias, ra\u00e7as, locais de origem e, desse modo, aloc\u00e1-los (as) nas posi\u00e7\u00f5es mais baixas da ordem social, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural (ARROYO, 2013).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Conhecer melhor o munic\u00edpio de Caruaru \u00e9 intensificar um olhar amplo da realidade que gera indaga\u00e7\u00f5es frente \u00e0s demandas e possibilidades, estando de um lado os diferentes destaques, seja no \u00e2mbito econ\u00f4mico, cultural, acad\u00eamico dentre outros e de contraposi\u00e7\u00e3o uma cidade que segue com disparidades entre ricos e pobres, e segundo o senso de 2010 demostra um n\u00famero elevado de mulheres com (53%) em um n\u00edvel de extrema pobreza e tendo uma m\u00e9dia de (59,7%) que se declararam como negros, mostrando assim, uma necessidade de continuidade da promo\u00e7\u00e3o, efetiva\u00e7\u00e3o e garantia de direitos que perpassa nas pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas as minorias e lutas. \u00c9 necess\u00e1rio um trabalho cotidiano continuo, onde cada um de n\u00f3s pode desenvolver no espa\u00e7o onde estamos inseridos sendo muito importante conhecer a realidade a partir do mesmo fazer a diferen\u00e7a por um mundo poss\u00edvel e necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Sou natural de Belo Horizonte vinda do estado de Minas Gerais e h\u00e1 seis anos moro em Caruaru. Trabalho na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, estou como coordenadora no Centro de Refer\u00eancia da Assist\u00eancia Social \u2013 CRAS e no Servi\u00e7o de Conviv\u00eancia e fortalecimento de v\u00ednculos (SCFV).<\/p>\n\n\n\n<p><br>A fun\u00e7\u00e3o que ocupo me deixa muito pr\u00f3xima da pobreza e do que ela gera e afeta na vida das pessoas, a pobreza configurada como despojamento, algu\u00e9m n\u00e3o tem ou pouco possui, enquanto outro possui de maneira elevada privando ou vinculando o sujeito com a garantia de poderes e acessos. Como nos aponta Quijano (2005)<\/p>\n\n\n\n<p><br><em>Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria que perdura desde a coloniza\u00e7\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o dos (as) pobres \u00e9 articulada e refor\u00e7ada com os processos sociais que conferem assimetria \u00e0 diversidade, reduzindo o diferente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de inferioridade. No contexto social e pol\u00edtico, isso se deu pela expropria\u00e7\u00e3o violenta de suas terras, seus territ\u00f3rios, suas culturas, suas mem\u00f3rias, suas hist\u00f3rias, suas identidades, suas l\u00ednguas, sua vis\u00e3o de mundo e de si mesmos(as). Esses coletivos foram decretados inferiores6 e mantidos \u00e0 margem da produ\u00e7\u00e3o intelectual, cultural e \u00e9tica da humanidade (p. 134).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><br>Sem d\u00favida entrar em um processo de educa\u00e7\u00e3o do olhar sobre a pobreza, suas consequ\u00eancias e, por conseguinte, sobre os sujeitos em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e de extrema pobreza \u00e9 um longo e \u00e1rduo caminho a seguir, mas sei que n\u00e3o o fa\u00e7o sozinha, guardo minha esperan\u00e7a no investimento da educa\u00e7\u00e3o como meio de maior consci\u00eancia e amadurecimento pol\u00edtico, por vias de supera\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o possibilitando assim empoderamento da pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Embora o CRAS seja a porta de entrada e sa\u00edda da fam\u00edlia oferecendo diferentes servi\u00e7os, de forma preventiva na Prote\u00e7\u00e3o Social B\u00e1sica (PSB), as fam\u00edlias frequentam a unidade na busca de solicitar acesso aos diferentes benef\u00edcios ofertados pelo CRAS, tais como&nbsp;; cesta b\u00e1sica, certid\u00e3o de nascimento, enxoval para o bebe, auxilio aluguel, preenchimento de formul\u00e1rio ao Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC), inclus\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o do Programa Bolsa Fam\u00edlia, incluindo a justificativa da frequ\u00eancia escolar e atendimento ao desbloqueio de cart\u00e3o PBF, encaminhamento para tratamento psicol\u00f3gico sistem\u00e1tico, Conselho Tutelar, Centro de Refer\u00eancia Especializado de Assist\u00eancia Social (CREAS), Secretaria da Mulher, acompanhamento e entrega do p\u00e3o e leite de soja, cursos de gera\u00e7\u00e3o de renda, acompanhamento familiar atrav\u00e9s do servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Fam\u00edlia (PAIF) dentre outros servi\u00e7os, por sua vez, trabalhando com a matricialidade, ou seja, um olhar sobre a fam\u00edlia e proporcionando di\u00e1logo com as diferentes institui\u00e7\u00f5es existentes no territ\u00f3rio de abrang\u00eancia do CRAS, possibilitando e ampliando assim uma articula\u00e7\u00e3o da rede de prote\u00e7\u00e3o social b\u00e1sica intersetorial, para atuar de maneira conjunta na garantia de direitos do cidad\u00e3o e da comunidade com perspectivas de diminuir as desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Por fim, as discurs\u00f5es acerca das reflex\u00f5es estabelecidas no reconhecimento da exist\u00eancia da pobreza e das desigualdades sociais, preparando e enviando diferentes atividades que me proporcionaram conhecimento, di\u00e1logo, e vis\u00e3o ampliada a partir das diversas experi\u00eancias sobre as diferentes faces da pobreza e suas implica\u00e7\u00f5es na vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br><em><strong>Ir. Marcia Ferreira Silva<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Secretariado Internacional Justi\u00e7a, Paz Integridade da Cria\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong>&nbsp;: ARROYO, Miguel Gonzalez. Os coletivos empobrecidos repolitizam os curr\u00edculos. In&nbsp;: SACRIST\u00c1N, Jos\u00e9 Gimeno (Org.). Saberes e incertezas sobre o curr\u00edculo. Porto Alegre&nbsp;: Penso, 2013. BOSI. E. Mem\u00f3ria e Sociedade \u2013 Lembran\u00e7as de Velhos. S\u00e3o Paulo&nbsp;: Cia das Letras, 1995. FREIRE, Paulo. Pedagogia da indigna\u00e7\u00e3o&nbsp;: cartas pedag\u00f3gicas e outros escritos. S\u00e3o Paulo&nbsp;: UNESP. 2000. QUIJANO, An\u00edbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e Am\u00e9rica Latina. In&nbsp;: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber&nbsp;: eurocentrismo e ci\u00eancias sociais. Buenos Aires&nbsp;: Clacso, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNa maior parte das vezes, lembrar n\u00e3o \u00e9 reviver mais refazer, reconstruir repensar com imagens e ideias de hoje as experi\u00eancias do passado. A mem\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 sonho, \u00e9 trabalho\u201d (Bosi). Este memorial \u00e9 resultado das diferentes atividades realizadas a partir do m\u00f3dulo introdut\u00f3rio, do in\u00edcio do curso de especializa\u00e7\u00e3o educa\u00e7\u00e3o, pobreza e desigualdade social. 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